Simulador de capital de giro
Este simulador calcula quanto dinheiro a operação da sua empresa prende entre comprar, produzir, vender e receber, e quanto falta ou sobra no caixa nos próximos 12 meses. Os números já preenchidos são de uma empresa fictícia, com valores de outubro de 2026: troque pelos seus.
Resumo rápido
- 01A necessidade de capital de giro é o que os clientes devem mais o estoque, menos o que a empresa ainda deve a fornecedores, funcionários e governo. No exemplo, R$ 331.745.
- 02No exemplo, o Cliente A responde por 41,7% da receita e por 60% do saldo a receber de clientes, R$ 316.800 de R$ 527.573, porque paga em 99 dias efetivos.
- 03As condições fora semana e dia fixo de pagamento somam dias ao contrato: 90 dias contratados viram 99 efetivos, e os 9 dias extras prendem R$ 29 mil.
- 04Um contrato novo de R$ 62 mil por mês, a 120 dias fora semana, prende R$ 217 mil a mais no giro. No sétimo mês, o saldo de tesouraria chega a −R$ 48 mil.
- 05Taxas do exemplo, com data: Selic de 13,75% a.a. (Copom, 16/09/2026); capital de giro a 1,70% a.m. e conta garantida a 3,78% a.m. (médias do Banco Central, agosto de 2026).
Como o simulador calcula o capital de giro?
O simulador segue o modelo Fleuriet. A necessidade de capital de giro (NCG) soma o que os clientes devem e o estoque, e subtrai o que a empresa ainda deve a fornecedores, funcionários e governo. Cada saldo sai do valor mensal da conta vezes o prazo dela, dividido por 30.
O capital de giro (CDG), no modelo Fleuriet, é o dinheiro de longo prazo, dos sócios e dos lucros deixados na empresa, que sobra depois de pagar máquinas e instalações. O saldo de tesouraria é o CDG menos a NCG: positivo, fica aplicado; negativo, vira dívida de banco de curto prazo.
No exemplo, a empresa fictícia vende R$ 230.400 por mês a três clientes. Os clientes devem R$ 527.573, o estoque de 12 dias soma R$ 38.624 e o passivo operacional é de R$ 234.452. A NCG fica em R$ 331.745, ou 43,2 dias de vendas.
Quanto capital de giro a empresa precisa?
A empresa precisa de capital de giro igual à NCG da operação em regime, com os prazos que pratica hoje. No exemplo, são R$ 331.745. Hoje estão presos R$ 300 mil, e a diferença de R$ 32 mil sai do lucro retido dos meses seguintes, sem reduzir as aplicações.
Cada R$ 1,00 de venda mensal a mais prende R$ 1,74 de giro no exemplo. Por isso crescer consome caixa: só com o lucro retido, de 40%, a empresa cresce até 2,5% ao mês sem gastar as aplicações. Para saber quanto a empresa vale, use a calculadora de valuation.
Como o prazo dado ao cliente muda o capital de giro?
Cada dia de prazo prende um dia de venda daquele cliente. O Cliente A compra R$ 96 mil por mês, então cada dia a mais no prazo dele prende R$ 3.200. A 99 dias efetivos, ele deve R$ 316.800 (R$ 3.200 × 99). São 60% dos R$ 527.573 a receber, contra 41,7% da receita.
O prazo do contrato e o prazo efetivo são números diferentes. Com a condição fora semana, a contagem começa no domingo seguinte à venda; com dia fixo de pagamento, o vencimento anda até o próximo dia de pagamento do cliente. No exemplo, 90 dias contratados viram 99, e os 9 dias extras prendem R$ 29 mil.
Se o Cliente A pagasse em 60 dias, liberaria R$ 125 mil. Com a linha de capital de giro a 1,70% ao mês, o desconto máximo que vale oferecer por essa redução é de 2,2% do preço.
O que é o efeito tesoura e quando ele aparece?
O efeito tesoura aparece quando a NCG cresce mais rápido que o CDG. A NCG acompanha as vendas e os prazos; o CDG só cresce com o lucro que fica na empresa. Quando as duas linhas se cruzam, a diferença vira dívida de banco de curto prazo.
No exemplo, um contrato novo de 400 unidades por mês a R$ 155, a 120 dias fora semana, soma R$ 62 mil de receita mensal. Esse contrato prende R$ 217 mil a mais no giro. O saldo de tesouraria cai de R$ 90 mil para −R$ 48 mil no sétimo mês e só zera no décimo.
A linha de capital de giro cobre o vale. No quinto mês, o saldo fica negativo e a estrutura financeira cai do Tipo II, sólida, para o Tipo III, insatisfatória, na classificação do modelo Fleuriet.
Quando usar linha de crédito, e quanto ela custa?
A ordem que custa menos é usar primeiro as aplicações, depois a linha mais barata e só então a seguinte. No exemplo, as aplicações rendem 0,83% ao mês e a linha de capital de giro custa 1,70% ao mês. Cada R$ 100 mil aplicados enquanto se usa linha custam R$ 870 por mês.
As taxas do exemplo são médias do Banco Central para empresas em agosto de 2026. O capital de giro com prazo de até 365 dias custou 22,38% ao ano, cerca de 1,70% ao mês. A conta garantida custou 3,78% ao mês, e o cheque especial, 13,45% ao mês.
A Selic de 13,75% ao ano, decidida pelo Copom em 16/09/2026, é a base do rendimento das aplicações do exemplo, de 0,83% ao mês, líquido de imposto de renda. Antecipar recebíveis troca o credor: entra caixa, entra dívida, e o saldo de tesouraria fica igual.
Quando o simulador basta e quando vale montar o plano de capital de giro?
O simulador basta para testar uma decisão: um cliente novo, um prazo diferente, um crescimento de vendas. O plano de capital de giro entra quando a decisão envolve banco, sócios ou um contrato grande. Nesse caso, os números vêm da contabilidade, conta a conta, com o prazo real de cada cliente e fornecedor.
A Ethos Valor monta esse plano com a DRE, os saldos e a carteira de clientes da empresa. O plano traz a necessidade de capital de giro por cliente, a projeção de 12 meses e o efeito em reais de cada medida. Veja como funciona a gestão de valor.
Perguntas frequentes
Fontes
- Banco Central do Brasil, Relatório de Política Monetária, setembro de 2026: Selic de 13,75% a.a. na 281ª reunião do Copom, em 15 e 16/09/2026
- Banco Central do Brasil, série 20722: taxa média de juros de capital de giro com prazo de até 365 dias para empresas, 22,38% a.a. em agosto de 2026
- Banco Central do Brasil, série 25445: taxa média mensal de juros de conta garantida para empresas, 3,78% a.m. em agosto de 2026
- Banco Central do Brasil, série 25446: taxa média mensal de juros de cheque especial para empresas, 13,45% a.m. em agosto de 2026
- Lei Complementar 123/2006, Anexos I e II do Simples Nacional, vigentes em outubro de 2026
- Michel Fleuriet, Ricardo Kehdy e Georges Blanc, O modelo Fleuriet: a dinâmica financeira das empresas brasileiras (Campus, 2003). Referência do método, sem link.
Orivaldo Nardi Primo é contador, CRC/SP 1SP234597/O-4, e atua em avaliação de empresas há mais de 17 anos, em Ribeirão Preto, SP. Orivaldo Nardi Primo responde pela Ethos Valor, ethosvalor.com.br, que emite laudo de avaliação de empresas para venda, saída de sócio, sucessão, entrada de investidor e disputa societária. O escopo é laudo, memória de cálculo e defesa técnica do valor.
