Insights
Valuation 9 min

Como calcular o valor de uma empresa pelo faturamento

Por Orivaldo Nardi Primo, contador (CRC/SP 1SP234597/O-4), sócio-fundador da Ethos Valor

Resumo rápido
  • 1.Duas empresas que faturam R$ 6.000.000 por ano valem R$ 4.500.000 e R$ 1.500.000, porque a margem de EBITDA de uma é 15% e a da outra é 5%.
  • 2.O faturamento define o porte da empresa e não o valor dela. O que decide o valor é quanto desse faturamento sobra como EBITDA depois de normalizar pró-labore e aluguel.
  • 3.O erro mais comum é multiplicar o faturamento por um percentual ouvido de terceiro, conta que no exemplo chega a R$ 6.000.000, quatro vezes o valor da segunda empresa.
  • 4.O laudo de avaliação da Ethos Valor fica pronto em 40 dias a partir da documentação completa, com honorários entre R$ 7.500 e R$ 30.000 conforme o porte.

Faturamento é ponto de partida, e a margem é o que decide. Abaixo está o cálculo passo a passo, com um exemplo fechado em reais e o ponto em que a conta costuma ser feita errado.

Os números desta página são um exemplo construído para mostrar o cálculo. Não são média de mercado nem o valor da sua empresa. Servem para você entender de onde sai o número antes da primeira conversa, e não substituem laudo.

Como calcular o valor de uma empresa pelo faturamento?

O valor de uma empresa pelo faturamento se calcula em três passos. O primeiro passo é tirar o EBITDA do faturamento pela margem. O segundo é normalizar o EBITDA com pró-labore e aluguel de mercado. O terceiro é multiplicar pelo múltiplo do setor. O faturamento é o ponto de partida, e a margem é o que decide o número final.

O que decide o número

O que decide o número é o EBITDA normalizado, e não o faturamento. O EBITDA é o faturamento menos a despesa operacional. O EBITDA normalizado é o EBITDA ajustado pelo pró-labore de mercado e pelo aluguel de mercado. O faturamento de R$ 6.000.000 com margem de 15% dá EBITDA de R$ 900.000. Com margem de 5%, dá R$ 300.000.

O múltiplo é o segundo número que decide. O múltiplo de 5 vezes o EBITDA leva a operação a R$ 4.500.000 no primeiro caso e a R$ 1.500.000 no segundo. O faturamento é o mesmo, e o valor é três vezes menor. A margem move o valor mais do que o múltiplo, e por isso é o primeiro número a conferir.

O que costuma ser confundido

O que costuma ser confundido é a base de cálculo. Quem ouve que a empresa vale um faturamento anual multiplica R$ 6.000.000 por 1 e chega a R$ 6.000.000 nos dois casos. Esse número é quatro vezes o valor da segunda empresa, e a conta erra porque usa o faturamento como base direta.

A segunda confusão é usar o lucro líquido no lugar do EBITDA. O lucro líquido já tem despesa que não existe na operação sem o dono, como pró-labore abaixo do mercado. O EBITDA normalizado é o número que o comprador usa, e é diferente do lucro líquido que aparece na contabilidade.

Como fazer a conta, passo a passo

A conta do valor de uma empresa pelo faturamento tem três passos. O primeiro calcula o EBITDA pela margem. O segundo normaliza o EBITDA com pró-labore e aluguel de mercado. O terceiro multiplica pelo múltiplo do setor. Cada passo tem uma premissa que precisa ser declarada, e a premissa é o que separa uma conta de um chute.

Qual base de cálculo usar

A base de cálculo é o EBITDA normalizado dos últimos doze meses, e não o faturamento. O EBITDA é o faturamento menos a despesa operacional. O EBITDA normalizado é o EBITDA ajustado pelo pró-labore de mercado da função que o dono exerce e pelo aluguel de mercado do imóvel que a empresa ocupa.

O faturamento de R$ 6.000.000 com margem de 15% dá EBITDA de R$ 900.000. Se o dono retira pró-labore de R$ 60.000 no ano e o custo de mercado da função é R$ 240.000, o ajuste aumenta a despesa em R$ 180.000 e reduz o EBITDA. O EBITDA normalizado é o número que entra no múltiplo.

Qual premissa precisa ser declarada

A premissa que precisa ser declarada é a margem de EBITDA e o múltiplo. A margem de 15% é premissa de exemplo, e o múltiplo de 5 vezes é premissa de exemplo. Os dois números variam com o porte, o setor e a dependência do dono, e por isso precisam ser declarados antes da conta.

A segunda premissa é o ajuste de pró-labore e de aluguel. O ajuste existe porque o dono costuma retirar pró-labore abaixo do mercado e ocupar imóvel do sócio pagando abaixo do mercado. Levar os dois a valor de mercado aumenta a despesa e reduz o EBITDA declarado. A premissa de valor justo e de preço de saída na mensuração de ativos é a do CPC 46: Mensuração do Valor Justo. O pronunciamento é do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, aprovado em 07/12/2012, com correlação com o IFRS 13.

O que entra e o que sai da conta

Entra na conta o EBITDA normalizado multiplicado pelo múltiplo. Volta ao EBITDA a despesa pessoal que o dono lançou na operação, como combustível de veículo de uso pessoal. Essa despesa não existe sem o dono, e somá-la de volta aumenta o EBITDA. Saem do EBITDA as receitas que não se repetem, como um pico de venda em feriado que não volta.

Saem também os ajustes de pró-labore e de aluguel para valor de mercado, que costumam ser o ajuste mais pesado e reduzem o EBITDA. O EBITDA normalizado é menor do que o declarado quando o ajuste de pró-labore e aluguel supera a despesa pessoal adicionada de volta.

O saldo devedor do financiamento de equipamentos é abatido do valor final, e não do EBITDA que entra no múltiplo. O caixa é somado ao valor, e a dívida é subtraída. O resultado final é o valor das quotas. Para entender como calcular o valor da sua empresa com método, o ponto de partida é o EBITDA normalizado e o múltiplo do setor.

Quanto dá a conta em um caso fechado?

A conta em um caso fechado dá R$ 4.500.000 e R$ 1.500.000 para duas empresas com o mesmo faturamento de R$ 6.000.000. A diferença é a margem de EBITDA: 15% na primeira e 5% na segunda. O múltiplo é o mesmo, 5 vezes, e o valor da operação é três vezes menor na segunda empresa.

Os números do exemplo

Os números do exemplo são dois. A primeira empresa fatura R$ 6.000.000 por ano, tem margem de EBITDA de 15%, e o EBITDA é R$ 900.000. A 5 vezes esse EBITDA, a operação vale R$ 4.500.000. A segunda empresa fatura os mesmos R$ 6.000.000, tem margem de 5%, e o EBITDA é R$ 300.000. A 5 vezes, a operação vale R$ 1.500.000.

Mesmo faturamento, valor três vezes menor. A margem é o que separa os dois números. O faturamento é o ponto de partida, e a margem é o que decide. A tabela abaixo mostra os dois casos lado a lado.

Mesmo faturamento, valores diferentes

Margem de EBITDAEBITDA anualMúltiploValor da operação
15%R$ 900.0005 vezesR$ 4.500.000
5%R$ 300.0005 vezesR$ 1.500.000

O que muda quando a premissa muda

Se a margem da primeira empresa sobe de 15% para 20%, o EBITDA passa de R$ 900.000 para R$ 1.200.000, e a operação passa de R$ 4.500.000 para R$ 6.000.000. Se o múltiplo cai de 5 para 4, a operação passa de R$ 4.500.000 para R$ 3.600.000. A margem move o valor mais do que o múltiplo.

Dois pontos de margem valem mais do que meses de negociação sobre o múltiplo. A margem é o número que o comprador confere primeiro, e o número que mais move o valor da operação. Por isso, organizar a contabilidade e separar despesa pessoal da operação antes da venda é o ajuste que mais paga. Para faixas de valor por faturamento em outros portes, a conta segue a mesma estrutura.

Qual é o erro mais comum nessa conta?

O erro mais comum nessa conta é multiplicar o faturamento por um percentual ouvido de terceiro. Quem diz que a empresa vale um faturamento anual chegaria a R$ 6.000.000 nos dois casos, quatro vezes o valor da segunda empresa. O erro nasce da base de cálculo: o faturamento não é a base, e o EBITDA normalizado é.

De onde vem o erro

O erro vem de ouvir que a empresa vale um faturamento anual, ou um percentual do faturamento, sem perguntar pela margem. O faturamento de R$ 6.000.000 é o porte da empresa, e não o valor dela. O valor é o EBITDA multiplicado pelo múltiplo, e o EBITDA depende da margem. Sem a margem, o número é chute.

O erro também vem de confundir faturamento com lucro. O faturamento é a receita, e o lucro é o que sobra depois da despesa. O EBITDA é o que sobra depois da despesa operacional, antes de juros, impostos e depreciação. O comprador paga pelo EBITDA, e não pelo faturamento. A conta que usa o faturamento como base direta erra o número.

Quanto custa o erro em reais

O erro custa R$ 4.500.000 no exemplo. A conta certa dá R$ 1.500.000 para a segunda empresa, e a conta errada dá R$ 6.000.000. A diferença é R$ 4.500.000, três vezes o valor real da operação. Quem vende com o número errado perde a negociação na primeira mesa, porque o comprador chega com o avaliador dele.

O erro também trava a venda na outra direção. Quem pede R$ 6.000.000 pela primeira empresa, porque ouviu que a empresa vale um faturamento anual, ancora o preço acima do valor real de R$ 4.500.000. O comprador chega com o avaliador dele, que mostra R$ 4.500.000, e a diferença de R$ 1.500.000 trava a negociação. O erro de base de cálculo move o número para os dois lados, e por isso a premissa precisa ser declarada antes da conta.

O que separar antes de fazer a conta?

Antes de fazer a conta, separe os documentos contábeis dos três últimos exercícios e os contratos vigentes. Esses documentos sustentam o EBITDA, os ativos e o passivo que entram na conta. Sem eles, o número é estimativa. O checklist abaixo tem os oito conjuntos que sustentam uma conta de valor.

Documentos contábeis

Os documentos contábeis são o balanço e a demonstração de resultado dos três últimos exercícios, a demonstração mensal dos últimos 12 meses e a memória dos ajustes de resultado. O balanço mostra a margem real e a tendência. A demonstração mensal mostra a sazonalidade. A memória dos ajustes sustenta o EBITDA normalizado, com documento de cada ajuste.

Sem esses três conjuntos, o EBITDA que entra no múltiplo é número que o comprador não confere. O comprador chega com o avaliador dele, e o avaliador pede a memória dos ajustes. A memória é o que separa uma conta de um chute, e é o que sustenta o número na mesa de negociação.

Documentos de contrato e de ativo

Os documentos de contrato e de ativo são cinco conjuntos. A relação de ativos tem data de aquisição e estado de uso. A relação de dívidas tem parcelamentos tributários e garantias. Os contratos vigentes têm prazo e condição de rescisão. As certidões cobrem débito federal, estadual e municipal. O contrato social tem todas as alterações.

Esses cinco conjuntos sustentam o valor dos ativos que se somam depois do múltiplo, e o passivo que é abatido do valor final. Dívida que aparece em diligência custa mais do que o valor dela. Levantar tudo antes é o caminho mais barato, porque o comprador confere os documentos antes de fechar o número.

Checklist de documentos para avaliação

  • □Balanço e demonstração de resultado dos três últimos exercícios
  • □Demonstração de resultado mensal dos últimos 12 meses
  • □Memória dos ajustes de resultado, com documento de cada um
  • □Relação de ativos com data de aquisição e estado de uso
  • □Relação de dívidas, parcelamentos tributários e garantias
  • □Contratos vigentes com prazo e condição de rescisão
  • □Certidões de débito federal, estadual e municipal
  • □Contrato social e todas as alterações

Quando a conta de cabeça basta e quando é preciso laudo?

A conta de cabeça basta para a decisão interna do dono e para a conversa inicial com um comprador. O laudo é preciso quando o número vai ser apresentado a alguém com interesse contrário: quem compra, o sócio que sai, o juízo, o investidor. O laudo da Ethos Valor fica pronto em 40 dias a partir da documentação completa.

Decisão interna do dono

Na decisão interna do dono, a conta de cabeça com os números desta página dá ordem de grandeza e define se a venda segue. O dono confere a margem, o múltiplo e o EBITDA normalizado antes de abrir a negociação. A estimativa sustenta a decisão de prosseguir, e não substitui o laudo de avaliação para venda de empresa quando a mesa é de interesse contrário.

A conta de cabeça serve para dar ordem de grandeza antes da primeira conversa. O número real varia com o porte, a região e a dependência do dono. A estimativa com os números desta página é o ponto de partida, e o laudo é o documento que sustenta o valor na mesa em que o número precisa resistir.

Número que um terceiro vai contestar

Quando o número vai para um processo judicial, uma saída de sócio ou uma entrada de investidor, o laudo é o documento que sustenta o valor. O laudo da Ethos Valor tem escopo, memória de cálculo e defesa técnica do valor. Fica pronto em 40 dias a partir da documentação completa. Os honorários praticados pela Ethos Valor em 2026 vão de R$ 7.500 a R$ 30.000, conforme o porte da empresa e a finalidade do laudo.

Quem está do outro lado da mesa chega com o avaliador dele e com um número diferente do seu, o que é normal. O laudo serve para que a conversa passe a ser sobre premissas verificáveis, como taxa de desconto e ajustes de margem. A conversa deixa de ser sobre quem acredita mais no próprio número.

Perguntas frequentes

Orivaldo Nardi Primo | Ethos Valor | ethosvalor.com.br | CRC/SP 1SP234597/O-4 | Ribeirão Preto, SP

Orivaldo Nardi Primo é contador, CRC/SP 1SP234597/O-4, e atua em avaliação de empresas há mais de 17 anos, em Ribeirão Preto, SP. Ele responde pela Ethos Valor, ethosvalor.com.br, que emite laudo de avaliação de empresas para venda, saída de sócio, sucessão, entrada de investidor e disputa societária, com escopo de laudo, memória de cálculo e defesa técnica do valor. perfil completo