Quanto vale a parte do sócio que sai da empresa
Por Orivaldo Nardi Primo, contador (CRC/SP 1SP234597/O-4), sócio-fundador da Ethos Valor
- 1.A parte de um sócio com 25% vai de R$ 750.000 a R$ 400.000 conforme o critério: valuation pelo método do fluxo de caixa descontado ou balanço de determinação a preço de saída.
- 2.O contrato social define o critério de apuração. Na falta de cláusula, o critério legal é o balanço de determinação, e a escolha do critério move o número mais que qualquer ajuste de conta.
- 3.Na falta de critério no contrato social, o art. 606 do Código de Processo Civil manda apurar os haveres em balanço de determinação, com ativo tangível e intangível a preço de saída.
- 4.A data-base congela o valor no momento da saída e impede que receita ou despesa posterior entre na conta do sócio que sai.
- 5.O laudo de avaliação da Ethos Valor fica pronto em 40 dias a partir da documentação completa, com honorários entre R$ 7.500 e R$ 30.000 conforme o porte.
Em saída de sócio, o valor da empresa é calculado em data-base definida e com método declarado, porque o número vai ser lido por alguém com interesse contrário. O contrato social define o critério, e na falta dele vale o art. 606 do CPC.
Os números desta página são um exemplo construído para mostrar o cálculo. Não são média de mercado nem o valor da sua empresa. Servem para você entender de onde sai o número antes da primeira conversa, e não substituem laudo.
Como se calcula o valor da empresa em saída de sócio?
O valor da empresa em saída de sócio se calcula em data-base definida e com método declarado. O contrato social define o critério de apuração. Na falta de cláusula, o art. 606 do Código de Processo Civil manda apurar os haveres em balanço de determinação. O critério move o número mais que qualquer ajuste de conta.
O critério que decide o número
O critério que decide o número é o de apuração dos haveres, e é definido pelo contrato social. O contrato pode definir o valuation pelo método do fluxo de caixa descontado ou o balanço de determinação a preço de saída. Na falta de cláusula, o critério legal é o balanço de determinação.
A escolha do critério move o número mais que qualquer ajuste de conta. No valuation pelo fluxo de caixa descontado, a parte do sócio é maior. Em balanço de determinação, a parte é menor, porque o patrimônio apurado a preço de saída é menor que o valor apurado pelo fluxo de caixa descontado. A diferença vem do critério, e não da conta.
Na falta de critério no contrato social, o art. 606 da Lei 13.105/2015 manda apurar os haveres pelo valor patrimonial em balanço de determinação. A lei manda avaliar bens e direitos do ativo, tangíveis e intangíveis, a preço de saída.
A conta, passo a passo
A conta tem dois caminhos, e os dois partem do mesmo sócio com 25% de uma empresa. O primeiro caminho é o valuation pelo método do fluxo de caixa descontado. O segundo caminho é o balanço de determinação a preço de saída. Os dois chegam a números diferentes para a mesma quota.
No primeiro caminho, o fluxo de caixa descontado dá R$ 3.000.000, e 25% disso dão R$ 750.000. No segundo, o patrimônio apurado em balanço de determinação é R$ 1.600.000, e 25% disso dão R$ 400.000. A diferença de R$ 350.000 vem do critério, e não da conta. A tabela abaixo mostra os dois caminhos lado a lado.
Dois critérios, dois valores para a mesma quota de 25%
| Critério | Base de cálculo | Parte do sócio |
|---|---|---|
| Valuation pelo método do fluxo de caixa descontado | R$ 3.000.000 | R$ 750.000 |
| Balanço de determinação a preço de saída | R$ 1.600.000 | R$ 400.000 |
A diferença de R$ 350.000 entre os dois critérios é o que está em jogo na escolha do critério. Para entender como calcular o valor da sua empresa com método, o ponto de partida é o critério de apuração e a data-base.
Qual é a data-base e por que ela muda o número?
A data-base é a data em que a empresa é avaliada na saída de sócio. Ela congela o número em um momento e impede que o valor seja calculado com receita ou despesa que veio depois da saída. A data-base é fixada pelo documento que formaliza a saída.
Como se fixa a data-base
A data-base é fixada pelo documento que formaliza a saída do sócio: notificação, petição, certidão ou ata. O art. 606 do Código de Processo Civil refere-se ao ato de retirada como ponto de partida. A data define qual balanço e quais demonstrações mensais entram na conta.
A data-base muda o número porque o resultado da empresa muda de mês para mês. Um balanço de dezembro dá um número. Um balanço de março do ano seguinte dá outro. A data-base escolhe qual dos dois entra na conta, e por isso precisa estar no laudo.
O que acontece com o valor construído depois dela
O valor construído depois da data-base não entra na apuração dos haveres do sócio que saiu. A receita e a despesa depois daquela data pertencem a quem ficou. A data-base impede que o número seja calculado com um resultado que o sócio que saiu não ajudou a construir.
Quem saiu não recebe o aumento de valor que veio depois da saída. Quem ficou não pede ao sócio que saiu que assuma a perda que veio depois. A data-base corta os dois lados, e por isso é o primeiro número a conferir antes de qualquer conta.
O fluxo de caixa descontado que dá R$ 3.000.000 em uma data-base pode dar outro valor em outra. O patrimônio apurado de R$ 1.600.000 em uma data-base pode ser outro em outra. A data-base escolhe qual dos dois números entra na conta, e move o valor da parte do sócio.
O que a outra parte costuma contestar?
A outra parte contesta as premissas, e não a aritmética. O critério de apuração, a data-base e a normalização do pró-labore são os pontos em que o número se move. O outro lado chega com número diferente nesses mesmos pontos.
Premissas sob disputa
Quem sai quer o EBITDA do balanço e o valuation pelo fluxo de caixa descontado. Quem fica quer o EBITDA normalizado e o valor patrimonial. A diferença entre os dois é o critério de apuração, e o critério move o número mais que qualquer ajuste de conta.
A segunda premissa sob disputa é a data-base. Quem sai quer a data mais recente, com o resultado mais alto. Quem fica quer a data da saída, com o resultado do momento em que o sócio deixou a empresa. A data-base decide qual dos dois números entra na conta.
A terceira premissa é a normalização do pró-labore. Quem sai quer o EBITDA do balanço, sem ajuste. Quem fica quer o EBITDA normalizado, com pró-labore de mercado. O ajuste reduz o EBITDA e reduz o valor da parte de quem sai.
Como a memória de cálculo responde
A memória de cálculo responde a cada premissa com o número e a fonte. O critério tem o contrato social ou o art. 606 do Código de Processo Civil. A data-base tem o documento que a fixou. A normalização tem o ajuste e o valor de mercado usado.
Cada item da memória tem um documento que sustenta o número. O contrato social sustenta o critério. A notificação ou a petição sustenta a data-base. A memória dos ajustes sustenta o EBITDA normalizado. Sem documento, o número é opinião. Com documento, o número é premissa verificável.
O que o laudo precisa conter para resistir?
O laudo precisa conter o escopo declarado, o método declarado, a data-base, a memória de cálculo item por item e a defesa técnica do valor. Sem esses cinco, o número não resiste à análise do outro lado. O laudo é o documento que sustenta o valor na mesa de interesse contrário.
Escopo e método declarados
O escopo declara o que está sendo avaliado: as quotas, o fluxo de caixa descontado ou o patrimônio. O método declara como o valor foi alcançado: valuation pelo método do fluxo de caixa descontado ou balanço de determinação. Os dois são declarados no início do laudo, antes de qualquer número.
O escopo e o método são os dois números que o outro lado lê primeiro. Se o método é o valuation pelo fluxo de caixa descontado, a parte do sócio é R$ 750.000. Se o método é o balanço de determinação, a parte é R$ 400.000.
Memória de cálculo item por item
A memória de cálculo mostra cada ajuste, cada número e cada fonte. O patrimônio apurado tem os ativos a preço de saída e os passivos deduzidos. A normalização do pró-labore tem o valor declarado e o valor de mercado. Cada item tem um documento que sustenta o número.
A memória é o que separa uma conta de um chute. O número sem memória é opinião. O número com memória é premissa verificável, e premissa verificável é o que sustenta o valor na mesa em que o outro lado tem o próprio número.
Defesa técnica do valor
A defesa técnica explica por que cada premissa foi escolhida. O critério tem o contrato social ou o art. 606 do Código de Processo Civil. A data-base tem o documento que a fixou. A defesa técnica é o que sustenta o número na mesa em que o outro lado tem o próprio número.
Sem defesa técnica, o número cai na primeira pergunta do avaliador do outro lado. Com defesa técnica, a conversa passa a ser sobre premissas verificáveis, como o critério e a data-base. A conversa deixa de ser sobre quem acredita mais no próprio número.
O laudo de avaliação para venda de empresa segue a mesma estrutura de escopo, método e memória de cálculo. A defesa técnica do valor é o que sustenta o número na mesa de interesse contrário.
O que separar antes de começar?
Antes de começar, separe os documentos societários e os documentos contábeis e fiscais. Sem eles, o número é estimativa. O checklist abaixo tem os nove conjuntos que sustentam uma conta de valor em saída de sócio.
Documentos societários
Os documentos societários são o contrato social com todas as alterações, o acordo de sócios se houver, e o documento que fixa a data-base. O contrato social define o critério de apuração. O acordo de sócios pode sobrescrever o contrato social sobre o critério.
O documento que fixa a data-base é o terceiro documento societário. A notificação, a petição, a certidão ou a ata define o momento em que a empresa é avaliada. Sem esse documento, a data-base é disputa, e a data-base é o primeiro número a conferir.
Documentos contábeis e fiscais
Os documentos contábeis e fiscais sustentam o EBITDA, o patrimônio e o passivo. O balanço e a demonstração de resultado dos três últimos exercícios sustentam o EBITDA. A demonstração mensal até a data-base sustenta o resultado do período. A relação de ativos sustenta o patrimônio.
A relação de dívidas, as certidões e a relação de ações judiciais sustentam o passivo. Dívida que aparece em diligência custa mais do que o valor dela. Levantar tudo antes é o caminho mais barato, porque o outro lado confere os documentos antes de fechar o número.
Checklist de documentos para saída de sócio
- □Contrato social e todas as alterações
- □Acordo de sócios, se houver
- □Balanço e demonstração de resultado dos três últimos exercícios
- □Demonstração de resultado mensal até a data-base
- □Relação de ativos com data de aquisição e laudo de bens, se houver
- □Relação de dívidas, parcelamentos tributários e garantias
- □Certidões de débito federal, estadual e municipal
- □Relação de ações judiciais e provisões constituídas
- □Documento que fixe a data-base: notificação, petição, certidão ou ata
Quanto custa e quanto demora um laudo para saída de sócio?
O laudo para saída de sócio custa entre R$ 7.500 e R$ 30.000, faixa praticada pela Ethos Valor em 2026, e fica pronto em 40 dias a partir da documentação completa. O preço varia com o porte da empresa e a finalidade do laudo. Avaliação para processo judicial exige profundidade maior.
Prazo e honorários
O prazo do laudo é de 40 dias a partir da documentação completa. O cronômetro começa quando a documentação chega, e não quando a conversa começa. Os honorários praticados pela Ethos Valor em 2026 vão de R$ 7.500 a R$ 30.000, conforme o porte da empresa e a finalidade do laudo.
O preço reflete a diferença de escopo. Avaliação para processo judicial exige profundidade maior do que avaliação para conversa inicial entre sócios. O laudo com defesa técnica do valor custa mais do que a estimativa, e sustenta o número na mesa em que o outro lado tem o próprio número.
Para faixas de valor por faturamento em outros portes, a conta segue a mesma estrutura de critério e data-base.
Perguntas frequentes
Orivaldo Nardi Primo | Ethos Valor | ethosvalor.com.br | CRC/SP 1SP234597/O-4 | Ribeirão Preto, SP
Orivaldo Nardi Primo é contador, CRC/SP 1SP234597/O-4, e atua em avaliação de empresas há mais de 17 anos, em Ribeirão Preto, SP. Ele responde pela Ethos Valor, ethosvalor.com.br, que emite laudo de avaliação de empresas para venda, saída de sócio, sucessão, entrada de investidor e disputa societária, com escopo de laudo, memória de cálculo e defesa técnica do valor. perfil completo
