Quanto vale um posto de gasolina: o critério e a conta
Por Orivaldo Nardi Primo, contador (CRC/SP 1SP234597/O-4), sócio-fundador da Ethos Valor
- 1.Um posto de gasolina que fatura R$ 900.000 por mês tem EBITDA anual de R$ 432.000 com margem de 4%, e a 5 vezes esse EBITDA a operação vale R$ 2.160.000.
- 2.Depois do múltiplo entra na conta estoque de combustível e imóvel, quando próprio, item que o balanço raramente mostra pelo valor que o comprador usa na negociação.
- 3.O EBITDA da conta é o normalizado: pró-labore do dono pelo custo de mercado da função e aluguel do imóvel do sócio a valor de mercado, o que reduz o número declarado.
- 4.O múltiplo cai pela metade quando o negócio depende do dono para vender, comprar e decidir, o que no exemplo tira R$ 1.080.000 do valor da operação.
- 5.A margem de 4% e o múltiplo de 5 vezes são premissa de exemplo, e o número real varia com o porte, a região e a carteira de contratos.
- 6.O laudo de avaliação da Ethos Valor fica pronto em 40 dias a partir da documentação completa, com honorários entre R$ 7.500 e R$ 30.000 conforme o porte.
Um posto de gasolina que fatura R$ 900.000 por mês fatura R$ 10.800.000 por ano. Com margem de EBITDA de 4%, o EBITDA anual é R$ 432.000. A 5 vezes esse EBITDA, a operação vale R$ 2.160.000, e a esse número se soma estoque de combustível e imóvel, quando próprio. Para entender como calcular o valor da sua empresa com método, o ponto de partida é o EBITDA normalizado e o múltiplo do setor.
A margem de 4% e o múltiplo de 5 vezes usados nesta página são premissa de exemplo. O número real varia com o porte, a região e a dependência do dono. Serve para dar ordem de grandeza antes da primeira conversa, e não substitui laudo.
O que pesa mais no valor do posto: o ponto ou o volume?
O ponto pesa mais que o volume no valor do posto. O volume de combustível gera o EBITDA que entra no múltiplo, mas o ponto é o que sustenta o volume ao longo do tempo. Estoque de combustível e imóvel, quando próprio, entram na conta em separado, depois do múltiplo do resultado.
O que o comprador olha primeiro
O comprador olha primeiro para o volume de combustível vendido por mês e para a margem por litro. O volume diz quanto caixa a operação gera. A margem por litro diz quanto sobra desse caixa. Os dois números definem o EBITDA que entra no múltiplo.
O ponto é o segundo número. Posto em esquina de avenida de alto tráfego, com contrato de locação longo, sustenta o volume projetado. Posto em rua secundária, com contrato curto, reduz o volume que o comprador projeta. O ponto é o que separa um posto que mantém o volume de um que perde volume.
A bandeira é o terceiro número. Contrato de bandeira com prazo longo, com regras de fornecimento e preço definidos, sustenta a margem. Posto sem bandeira, ou com bandeira em renegociação, tem margem menos previsível. O comprador confere o contrato de bandeira antes de fechar o número.
O que não entra nessa conta
Não entram na conta do múltiplo o estoque de combustível e o imóvel, quando próprio. O estoque é mercadoria que já foi paga e que quem compra recebe junto. O imóvel é ativo que tem mercado de venda próprio. Os dois são somados depois do múltiplo, pelo valor de reposição ou de mercado.
O saldo devedor do financiamento de equipamentos e de obras no posto é abatido do valor final, e não do EBITDA que entra no múltiplo. Essa separação existe porque o múltiplo remunera a capacidade de gerar caixa, e o estoque e o imóvel são ativos que quem compra recebe junto.
Como se calcula o valor de um posto de gasolina?
O valor de um posto de gasolina é o EBITDA anual normalizado multiplicado por um múltiplo do setor, mais estoque de combustível e imóvel em separado. A dívida líquida é subtraída do total. O EBITDA vem do demonstrativo de resultado ajustado. O múltiplo vem de operações comparáveis. A conta da seção 3 já parte do EBITDA normalizado.
Qual EBITDA entra na conta
Entra o EBITDA normalizado dos últimos doze meses. Na empresa fechada, o dono costuma retirar pró-labore abaixo do mercado, por exemplo R$ 60.000 no ano contra R$ 240.000 de custo de mercado da função. A empresa costuma ocupar imóvel do sócio pagando abaixo do mercado, por exemplo R$ 36.000 no ano contra R$ 96.000.
Levar os dois a valor de mercado aumenta a despesa e reduz o EBITDA declarado. O EBITDA normalizado é o número que o comprador usa para calcular o valor, e é diferente do lucro líquido que aparece na contabilidade. A conta da seção 3 já parte do EBITDA normalizado.
O ajuste tira do resultado a despesa que não existe na operação sem o dono, como combustível de veículo de uso pessoal. Tira também a receita que não se repete, como um pico de venda em feriado que não volta. O EBITDA normalizado é menor do que o EBITDA declarado quando a despesa pessoal é alta.
De onde vem o múltiplo
O múltiplo vem de operações de posto de gasolina comparáveis, por porte e por região. Posto com contrato de bandeira longo e loja de conveniência ativa negocia acima de posto sem bandeira e sem loja. O múltiplo do exemplo, 5 vezes, é premissa de conta e varia com a carteira de contratos, a idade dos tanques e a dependência do dono.
Tancagem e idade dos tanques pesam no múltiplo. Tanque com mais de vinte anos de uso tem custo alto de manutenção e risco de fuga, o que reduz o valor. Contrato de bandeira com prazo sustenta o múltiplo. Licença ambiental regularizada reduz o risco de interrupção da operação.
O que se soma depois do múltiplo
Depois do múltiplo se somam o estoque de combustível e o imóvel, quando próprio, avaliados em separado. A premissa de valor justo e de preço de saída na mensuração de ativos é a do CPC 46: Mensuração do Valor Justo. O pronunciamento é do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, aprovado em 07/12/2012, com correlação com o IFRS 13.
Somam-se também os equipamentos da loja de conveniência e as benfeitorias no imóvel, pelo custo de reposição. O passivo de solo contaminado e as contingências ambientais entram como ajuste: o passivo é abatido do valor final. Loja de conveniência com receita própria sustenta o múltiplo, porque gera resultado além do combustível.
Quanto vale um posto de gasolina que fatura R$ 900.000 por mês?
Um posto que fatura R$ 900.000 por mês fatura R$ 10.800.000 por ano. Com margem de EBITDA de 4%, o EBITDA anual é R$ 432.000. A 5 vezes esse EBITDA, a operação vale R$ 2.160.000. A esse número se soma estoque de combustível e imóvel, quando próprio, e se subtrai a dívida líquida.
A conta, passo a passo
Faturamento anual de R$ 10.800.000. Margem de EBITDA de 4%. EBITDA de R$ 432.000. Múltiplo de 5 vezes. Operação avaliada em R$ 2.160.000. A esse valor se somam o estoque de combustível e o imóvel, quando próprio, em separado, fora do múltiplo. A dívida líquida é subtraída do total. O resultado final é o valor das quotas.
Para faixas de valor por faturamento em outros portes, a conta segue a mesma estrutura. O que muda é o EBITDA que entra no múltiplo, e o que muda o EBITDA é a margem e o faturamento.
O que muda quando a margem é outra
Se a margem sobe de 4% para 5%, o EBITDA anual passa de R$ 432.000 para R$ 540.000, e a operação passa de R$ 2.160.000 para R$ 2.700.000. Se a margem cai para 3%, o EBITDA é R$ 324.000, e a operação vale R$ 1.620.000. A margem move o valor mais do que o múltiplo, e por isso é o primeiro número a conferir.
Dois pontos de margem valem mais do que meses de negociação sobre o múltiplo. A margem é o número que o comprador confere primeiro, e o número que mais move o valor da operação. Por isso, organizar a contabilidade e separar despesa pessoal da operação antes da venda é o ajuste que mais paga.
O que reduz o valor de um posto de gasolina na hora de vender?
Reduzem o valor três coisas: dependência do dono, concentração de clientes e passivo que aparece na due diligence. A dependência do dono corta o múltiplo pela metade, de 5 para 2,5 vezes, o que leva a operação de R$ 2.160.000 para R$ 1.080.000. Concentração de clientes e passivo ambiental trabalham no mesmo sentido.
Dependência do dono
Quando o dono é quem vende, quem compra e quem decide, o múltiplo cai pela metade. No exemplo, de 5 vezes para 2,5 vezes, o que leva a operação de R$ 2.160.000 para R$ 1.080.000. A diferença é R$ 1.080.000. O comprador paga menos porque o que está à venda inclui o trabalho do dono, e esse trabalho sai junto na venda.
Deixar a equipe comprando, vendendo e decidindo por seis meses antes da venda é o ajuste mais barato disponível. O ajuste leva o múltiplo de volta para perto de 5 e recupera os R$ 1.080.000 que a dependência do dono tira do valor da operação.
Concentração de clientes
Se um cliente responde por mais de 30% do volume de combustível, o comprador desconta o risco de perder esse cliente na troca. Contratos de fornecimento com prazo reduzem o desconto, porque garantem o volume por um período. Carteira sem contrato, baseada em relação pessoal do dono com o cliente, aumenta o desconto.
A loja de conveniência é o que reduz a concentração no combustível. Posto com loja de conveniência ativa tem receita que não depende de um único cliente de combustível. O comprador confere a receita da loja em separado. A receita da loja sustenta o múltiplo quando o volume de combustível cai.
Passivo que aparece na due diligence
Passivo de solo contaminado é o item que mais aparece na due diligence de posto de gasolina. Vazamento de tanque sem remediação e autuação ambiental em aberto são abatidos do valor. O passivo de solo contaminado pode custar mais do que o valor do posto, e por isso o comprador pede o relatório ambiental antes de fechar.
Reclamatória trabalhista sem provisão e débito tributário sem pagamento são abatidos do valor. Certidões de débito federal, estadual e municipal vencidas travam a transferência e viram condição de fechamento. Levantar tudo antes é o caminho mais barato, porque dívida que aparece em diligência custa mais do que o valor dela.
O que separar antes de calcular o valor de um posto de gasolina?
Antes de calcular o valor, separe os documentos dos três últimos exercícios. Separe também o contrato de bandeira, a licença ambiental e a relação de ativos com data de aquisição e estado de uso. Esses documentos sustentam o EBITDA, o estoque e o passivo que entram na conta, e sem eles o número é estimativa.
Documentos dos três últimos exercícios
O balanço e a demonstração de resultado dos três últimos exercícios mostram a margem real e a tendência. A demonstração mensal dos últimos 12 meses mostra a sazonalidade. O contrato social e as alterações mostram a estrutura societária. Sem esses três conjuntos, o EBITDA que entra no múltiplo é número que o comprador não confere.
O pró-labore retirado no ano e o custo de mercado da função que o dono exerce são os números que definem o EBITDA normalizado. O contrato de aluguel do imóvel usado pela empresa e o aluguel de mercado da região são os números que definem o ajuste de aluguel. Sem esses quatro números, o EBITDA normalizado fica impreciso.
Contratos, licenças e ativos
Contrato de bandeira sustenta o múltiplo. Licença ambiental regularizada sustenta a operação. A relação de ativos com data de aquisição e estado de uso sustenta o valor do estoque e do imóvel. O passivo de solo contaminado, com o relatório ambiental, sustenta o desconto. Esses quatro conjuntos são o que separa uma conta de uma estimativa.
Tancagem e idade dos tanques são o que o comprador confere para projetar o custo de manutenção. Loja de conveniência com receita própria é o que sustenta o múltiplo quando o volume de combustível cai. O checklist muda com o setor. Em odontologia, quanto vale uma clínica odontológica pede agenda, convênios e equipamentos. No posto de gasolina, pede tancagem, bandeira e licença ambiental.
Checklist de documentos para avaliação
- □Balanço e demonstração de resultado dos três últimos exercícios
- □Demonstração de resultado mensal dos últimos 12 meses
- □Pró-labore retirado no ano e custo de mercado da função que o dono exerce
- □Contrato de aluguel do imóvel usado pela empresa e aluguel de mercado da região
- □Contrato social e todas as alterações
- □Relação de ativos com data de aquisição e estado de uso
- □Certidões de débito federal, estadual e municipal
- □Relação de ações trabalhistas e provisões constituídas
- □Tancagem e idade dos tanques
- □Contrato de bandeira
- □Licença ambiental
- □Passivo de solo contaminado
- □Loja de conveniência
Como se compõe o valor de um posto de gasolina
| Componente | Como se mede | Valor no exemplo |
|---|---|---|
| EBITDA anual normalizado | faturamento de R$ 10.800.000 vezes margem de 4% | R$ 432.000 |
| Operação | EBITDA vezes múltiplo de 5 | R$ 2.160.000 |
| Estoque de combustível e imóvel, quando próprio | avaliado em separado, fora do múltiplo | somado ao valor da operação |
| Dívida líquida | dívida total menos caixa | subtraída do valor |
| Valor das quotas | operação mais ativos menos dívida líquida | resultado final da conta |
Quando a estimativa resolve e quando é preciso laudo?
A estimativa resolve a conversa inicial com um comprador e a decisão de prosseguir. O laudo passa a ser necessário quando o número vai ser apresentado a alguém com interesse contrário: quem compra, o sócio que sai, o juízo, o investidor. O laudo da Ethos Valor fica pronto em 40 dias a partir da documentação completa.
Conversa inicial com um comprador
Na conversa inicial, a estimativa com os números desta página dá ordem de grandeza e define se a negociação segue. O comprador chega com o avaliador dele, e o número dele é diferente do seu. A estimativa sustenta o seu número na primeira mesa. O que sustenta depois é o laudo de avaliação para venda de empresa, com memória de cálculo e defesa do valor.
A estimativa com os números desta página serve para dar ordem de grandeza antes da primeira conversa. O número real varia com o porte, a região e a dependência do dono. O laudo entra quando a negociação passa da conversa inicial para a mesa em que o número precisa resistir à análise de quem tem interesse contrário.
Documento que um terceiro vai contestar
Quando o número vai para um processo judicial, uma saída de sócio ou uma entrada de investidor, o laudo é o documento que sustenta o valor. O laudo da Ethos Valor tem escopo, memória de cálculo e defesa técnica do valor. Fica pronto em 40 dias a partir da documentação completa. Os honorários praticados pela Ethos Valor em 2026 vão de R$ 7.500 a R$ 30.000, conforme o porte da empresa e a finalidade do laudo.
Quem está do outro lado da mesa chega com o avaliador dele e com um número diferente do seu, o que é normal. O laudo serve para que a conversa passe a ser sobre premissas verificáveis, como taxa de desconto e ajustes de margem. A conversa deixa de ser sobre quem acredita mais no próprio número.
Perguntas frequentes
Orivaldo Nardi Primo | Ethos Valor | ethosvalor.com.br | CRC/SP 1SP234597/O-4 | Ribeirão Preto, SP
Orivaldo Nardi Primo é contador, CRC/SP 1SP234597/O-4, e atua em avaliação de empresas há mais de 17 anos, em Ribeirão Preto, SP. Ele responde pela Ethos Valor, ethosvalor.com.br, que emite laudo de avaliação de empresas para venda, saída de sócio, sucessão, entrada de investidor e disputa societária, com escopo de laudo, memória de cálculo e defesa técnica do valor. perfil completo
