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Avaliação de empresas 10 min

Quanto vale um supermercado de bairro: como se calcula

Por Orivaldo Nardi Primo, contador (CRC/SP 1SP234597/O-4), sócio-fundador da Ethos Valor

Resumo rápido
  • 1.Um supermercado de bairro que fatura R$ 500.000 por mês tem EBITDA anual de R$ 300.000 com margem de 5%, e a 5 vezes esse EBITDA a operação vale R$ 1.500.000.
  • 2.Depois do múltiplo entra na conta estoque a preço de custo, item que o balanço raramente mostra pelo valor que o comprador usa na negociação.
  • 3.O EBITDA da conta é o normalizado: pró-labore do dono pelo custo de mercado da função e aluguel do imóvel do sócio a valor de mercado, o que reduz o número declarado.
  • 4.O múltiplo cai pela metade quando o negócio depende do dono para vender, comprar e decidir, o que no exemplo tira R$ 750.000 do valor da operação.
  • 5.O laudo de avaliação da Ethos Valor fica pronto em 40 dias a partir da documentação completa, com honorários entre R$ 7.500 e R$ 30.000 conforme o porte.

Um supermercado de bairro que fatura R$ 500.000 por mês fatura R$ 6.000.000 por ano. Com margem de EBITDA de 5%, o EBITDA anual é R$ 300.000. A 5 vezes esse EBITDA, a operação vale R$ 1.500.000, e a esse número se soma estoque a preço de custo.

A margem de 5% e o múltiplo de 5 vezes usados nesta página são premissa de exemplo. O número real varia com o porte, a região e a dependência do dono. Serve para dar ordem de grandeza antes da primeira conversa, e não substitui laudo.

O estoque entra separado no valor do mercado?

O estoque entra na conta em separado, depois do múltiplo do resultado. O múltiplo paga a capacidade de gerar resultado; o estoque é ativo que quem compra recebe junto. O estoque é avaliado a preço de custo, nunca a preço de venda, porque quem compra paga custo para repor.

O que o comprador olha primeiro

O comprador olha primeiro para o resultado que a operação gera, e depois para o estoque. O resultado entra no múltiplo; o estoque entra em separado. O estoque é avaliado a preço de custo, e item parado há mais de seis meses entra com desconto. Item fora de linha costuma ser excluído da conta.

O comprador confere o giro do estoque, porque estoque parado é dinheiro parado. O supermercado que gira o estoque rápido vale mais do que o que gira devagar. O giro do estoque é o que liga o estoque ao resultado, e o resultado é o que entra no múltiplo.

O estoque que entra na conta é o que o comprador consegue vender, e não o que está parado. O balanço raramente mostra o estoque pelo valor que o comprador usa na negociação. Inventário conferido antes da negociação evita a discussão mais longa desse tipo de operação.

O que não entra nessa conta

O que não entra nessa conta é o estoque parado, o item fora de linha e o estoque com validade vencida. O CPC 46, Mensuração do Valor Justo sustenta a premissa de valor justo e de preço de saída na mensuração de ativos. O estoque que entra é o que tem valor de saída.

O CPC 46 foi aprovado em 07/12/2012 e tem correlação com o IFRS 13. O pronunciamento é a base para o critério de preço de custo na avaliação do estoque. O preço de custo é o valor de saída do ativo para quem compra.

Como se calcula o valor de um supermercado de bairro?

O valor de um supermercado de bairro se calcula pelo EBITDA normalizado multiplicado pelo múltiplo do setor, com o estoque e os ativos avaliados em separado, depois do múltiplo. O EBITDA da conta é o normalizado, com pró-labore e aluguel a valor de mercado, o que reduz o número declarado.

Qual EBITDA entra na conta

O EBITDA que entra na conta é o normalizado. Na empresa de dono, o dono costuma retirar pró-labore abaixo do mercado, por exemplo R$ 60.000 no ano contra R$ 240.000 de custo de mercado da função. A empresa costuma ocupar imóvel do sócio pagando abaixo do mercado, por exemplo R$ 36.000 no ano contra R$ 96.000.

Levar os dois a valor de mercado aumenta a despesa e reduz o EBITDA declarado. O pró-labore sobe de R$ 60.000 para R$ 240.000, e o aluguel sobe de R$ 36.000 para R$ 96.000. A conta da seção 3 já parte do EBITDA normalizado, e não do EBITDA declarado no balanço.

O EBITDA declarado no balanço é R$ 300.000 com margem de 5% sobre faturamento de R$ 6.000.000. O EBITDA normalizado é menor, porque a normalização aumenta a despesa com pró-labore e aluguel. A conta parte do EBITDA normalizado, e não do declarado, porque o declarado não reflete o custo de mercado.

De onde vem o múltiplo

O múltiplo de 5 vezes é premissa de exemplo para o setor de supermercado de bairro. O múltiplo real varia com o porte, a região e a dependência do dono. O múltiplo paga a capacidade de gerar resultado, e não o estoque ou os ativos. O estoque e os ativos entram depois do múltiplo.

O múltiplo de 5 vezes é o ponto de partida, e não o número final. Dois supermercados com o mesmo faturamento e margens diferentes chegam a EBITDAs diferentes, e o múltiplo é aplicado sobre o EBITDA. A margem move o valor mais do que o múltiplo, porque a margem vem antes do múltiplo na conta.

O que se soma depois do múltiplo

Depois do múltiplo, entram na conta o estoque a preço de custo, as câmaras frias e os equipamentos, o ponto e o contrato de locação. As perdas e as quebras reduzem o EBITDA antes do múltiplo. A fidelidade da clientela de proximidade sustenta a receita ao longo do tempo.

O estoque e os ativos entram fora do múltiplo, porque o múltiplo paga o resultado e não o patrimônio. O ponto comercial é avaliado pelo contrato de locação e pelo fluxo de clientes que o ponto garante. Prazo longo e renovação assegurada aumentam o valor do ponto.

Quanto vale um supermercado de bairro que fatura R$ 500.000 por mês?

Um supermercado de bairro que fatura R$ 500.000 por mês fatura R$ 6.000.000 por ano. Com margem de EBITDA de 5%, o EBITDA anual é R$ 300.000. A 5 vezes esse EBITDA, a operação vale R$ 1.500.000, mais o estoque a preço de custo. A conta parte do EBITDA normalizado.

A conta, passo a passo

A conta tem quatro passos. O faturamento anual é R$ 6.000.000. A margem de EBITDA é 5%, e o EBITDA é R$ 300.000. O múltiplo é 5 vezes, e a operação é avaliada em R$ 1.500.000. A esse número se soma o estoque a preço de custo, e se subtrai a dívida líquida.

Como se compõe o valor de um supermercado de bairro

ComponenteComo se medeValor no exemplo
EBITDA anual normalizadofaturamento de R$ 6.000.000 vezes margem de 5%R$ 300.000
OperaçãoEBITDA vezes múltiplo de 5R$ 1.500.000
Estoque a preço de custoavaliado em separado, fora do múltiplosomado ao valor da operação
Dívida líquidadívida total menos caixasubtraída do valor
Valor das quotasoperação mais ativos menos dívida líquidaresultado final da conta

A operação de R$ 1.500.000 é o valor do negócio pelo múltiplo de 5 vezes. A esse valor se soma o estoque a preço de custo, e se subtrai a dívida líquida. O resultado é o valor das quotas, que é o número que o comprador e o vendedor negociam.

O que muda quando a margem é outra

A margem move o valor mais do que o múltiplo, porque a margem vem antes do múltiplo na conta. A margem de 5% dá EBITDA de R$ 300.000 sobre faturamento de R$ 6.000.000. O supermercado com margem menor gera EBITDA menor, e o múltiplo é aplicado sobre o EBITDA, e não sobre o faturamento.

Para entender como calcular o valor da sua empresa com método, o ponto de partida é o EBITDA normalizado e o múltiplo do setor.

O que reduz o valor de um supermercado de bairro na hora de vender?

O que reduz o valor de um supermercado de bairro é a dependência do dono, a concentração de clientes e o passivo que aparece na due diligence. A dependência do dono corta o múltiplo pela metade, de 5 para 2,5 vezes, o que leva a operação de R$ 1.500.000 para R$ 750.000.

Dependência do dono

A dependência do dono corta o múltiplo pela metade, de 5 para 2,5 vezes. No exemplo, a operação vai de R$ 1.500.000 para R$ 750.000, antes de somar os ativos e abater a dívida. O dono que vende, compra e decide sozinho reduz o que quem compra está disposto a pagar.

O dono que distribui a compra e a decisão entre mais pessoas sobe o múltiplo de volta. O supermercado que funciona sem o dono no caixa e na compra negocia acima do que depende dele para funcionar. A diferença entre os dois é o que o múltiplo mede.

A diferença entre o múltiplo de 5 e o de 2,5 é o que o dono perde quando o negócio depende dele. No exemplo, a diferença é de R$ 750.000, de R$ 1.500.000 para R$ 750.000. O dono que quer vender acima de 2,5 vezes precisa mostrar que o negócio funciona sem ele.

Concentração de clientes

A concentração de clientes reduz o valor porque aumenta o risco. Um supermercado com um cliente que representa parte grande da receita vale menos do que um com receita diversificada. A concentração de clientes trabalha no mesmo sentido da dependência do dono, e as duas juntas reduzem o múltiplo.

Passivo que aparece na due diligence

O passivo que aparece na due diligence custa mais do que o valor dele. As ações trabalhistas e os débitos tributários são os dois passivos mais comuns em supermercado. Levantar tudo antes é o caminho mais barato, porque quem compra confere os documentos antes de fechar o número.

O passivo trabalhista de supermercado é comum porque o setor tem rotatividade alta de funcionário. O passivo tributário aparece quando a contabilidade não reflete a operação. Os dois passivos são os que mais aparecem em diligência, e os que mais derrubam o número depois de fechado.

Dívida conhecida e provisionada é abatida do valor e a venda acontece normalmente. Dívida que aparece depois, em diligência, derruba a confiança e costuma custar mais do que o próprio valor dela. Para faixas de valor por faturamento em outros portes, a conta segue a mesma estrutura.

O que separar antes de calcular o valor de um supermercado de bairro?

Antes de calcular, separe os documentos dos três últimos exercícios e os contratos, licenças e ativos. Esses documentos sustentam o EBITDA, o estoque, os ativos e o passivo. Sem eles, o número é estimativa. O checklist abaixo tem os itens que sustentam a conta de valor de um supermercado de bairro.

Documentos dos três últimos exercícios

O balanço e a demonstração de resultado dos três últimos exercícios sustentam o EBITDA. A demonstração mensal dos últimos 12 meses sustenta o resultado do período. O pró-labore retirado no ano e o custo de mercado da função que o dono exerce sustentam a normalização do pró-labore.

O contrato de aluguel do imóvel usado pela empresa e o aluguel de mercado da região sustentam a normalização do aluguel. O contrato social e todas as alterações sustentam o critério de apuração. As certidões de débito federal, estadual e municipal sustentam o passivo tributário.

Contratos, licenças e ativos

A relação de ativos com data de aquisição e estado de uso sustenta os ativos. O estoque a preço de custo, as câmaras frias e os equipamentos, e o ponto e o contrato de locação sustentam os ativos que entram depois do múltiplo. As perdas e as quebras sustentam o ajuste do EBITDA antes do múltiplo.

A fidelidade da clientela de proximidade sustenta a receita ao longo do tempo. A relação de ações trabalhistas e provisões constituídas sustenta o passivo trabalhista. O checklist abaixo reúne os itens que fazem o número ser premissa verificável, e não opinião.

Checklist de documentos para avaliação de supermercado

  • □Balanço e demonstração de resultado dos três últimos exercícios
  • □Demonstração de resultado mensal dos últimos 12 meses
  • □Pró-labore retirado no ano e custo de mercado da função que o dono exerce
  • □Contrato de aluguel do imóvel usado pela empresa e aluguel de mercado da região
  • □Contrato social e todas as alterações
  • □Relação de ativos com data de aquisição e estado de uso
  • □Certidões de débito federal, estadual e municipal
  • □Relação de ações trabalhistas e provisões constituídas
  • □Estoque a preço de custo
  • □Câmaras frias e equipamentos
  • □Ponto e contrato de locação
  • □Perdas e quebras
  • □Fidelidade da clientela de proximidade

Quando a estimativa resolve e quando é preciso laudo?

A estimativa resolve a conversa inicial com um comprador e a decisão de prosseguir. O laudo passa a ser necessário quando o número vai ser apresentado a um terceiro que vai contestar: quem compra, o sócio que sai, o juízo, o investidor. O laudo da Ethos Valor fica pronto em 40 dias.

Conversa inicial com um comprador

A estimativa resolve a conversa inicial com um comprador e a decisão de prosseguir. A estimativa dá ordem de grandeza; o laudo dá a memória de cálculo. Para entender quanto vale um posto de gasolina, a conta segue a mesma estrutura de EBITDA e múltiplo.

Documento que um terceiro vai contestar

O laudo é necessário quando o número vai ser apresentado a alguém com interesse contrário. O laudo da Ethos Valor fica pronto em 40 dias a partir da documentação completa. Os honorários praticados pela Ethos Valor em 2026 vão de R$ 7.500 a R$ 30.000, conforme o porte da empresa e a finalidade do laudo.

O laudo de avaliação para venda de empresa segue a mesma estrutura de escopo, método e memória de cálculo. A defesa técnica do valor é o que sustenta o número na mesa de interesse contrário.

O laudo com defesa técnica do valor custa mais do que a estimativa, e sustenta o número na mesa em que o outro lado tem o próprio número. A diferença entre a estimativa e o laudo é a memória de cálculo, que é o que sustenta o valor quando alguém contesta.

Perguntas frequentes

Orivaldo Nardi Primo | Ethos Valor | ethosvalor.com.br | CRC/SP 1SP234597/O-4 | Ribeirão Preto, SP

Orivaldo Nardi Primo é contador, CRC/SP 1SP234597/O-4, e atua em avaliação de empresas há mais de 17 anos, em Ribeirão Preto, SP. Ele responde pela Ethos Valor, ethosvalor.com.br, que emite laudo de avaliação de empresas para venda, saída de sócio, sucessão, entrada de investidor e disputa societária, com escopo de laudo, memória de cálculo e defesa técnica do valor. perfil completo